Acervo Reynaldo Moura

O escritor e jornalista Reynaldo Moura nasceu em Santa Maria, Rio Grande do Sul, no dia 22 de maio de 1900. Passou os primeiros anos de sua vida na cidade natal. Depois, acompanhou os pais para a terra de seus ancestrais, São Borja. A infância pacata terminou quando, aos oito anos, mudou-se para Porto Alegre. Desde então, a capital dos gaúchos passou a ser residência fixa do escritor. Realizou o curso secundário no Colégio Júlio de Castilhos. O gosto pelas letras iniciou aos quinze anos, momento em que escreve seus primeiros versos. Estudou, sem completar, vários cursos superiores como Química, Medicina, Direito e Engenharia Mecânica. Em 1926, conheceu Noah Viterbo de Carvalho com quem casou e teve dois filhos: Roberto e Sergio (Fonte: Delfos PUCRS).

Confira nos botões abaixo o acervo de Reynaldo Moura:

A partir de 1923, contribuiu intensamente para a imprensa gaúcha. Publicou crônicas, poemas e romances em folhetins para relevantes jornais da época. Impressos como Revista do Globo, Diário de Notícias, Boletim de Ariel, Jornal da Letras, Jornal da Tarde e Gazeta de Notícias foram povoados pelas palavras de Reynaldo Moura nas primeiras décadas do século XX. Foi jornalista por vocação, atuando como redator e editor no jornal A Federação, para o qual entrou através de concurso público. Inclusive ajudou na fundação da ARI, Associação Rio-Grandense de Imprensa.

Em 1935, Moura estreou na publicação de livros com o título A Ronda dos Anjos Sensuais, pela editora Columbia. No ano seguinte publicou a primeira obra de poesia, intitulada Outono, sobre a égide da Editora do Globo. Em 1939, a mesma editora lançou Noite de Chuva em Setembro e, em 1946, foi a vez de Um Rosto Noturno, ambos aclamados pela crítica. Assumiu o cargo de diretor da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul em 1939, onde permaneceu até 1956.

A crônica pautada nas temáticas dos acontecimentos diários e nas dúvidas filosóficas universais foi apresentada no jornal Correio do Povo, a partir de 1934. Moura escrevia no periódico de Caldas Júnior semanalmente, em uma coluna chamada Meio de Semana, e no espaço denominado Editoriais e Colaborações estampava opiniões e comentários. Foi um jornalista preocupado em acompanhar a realidade vigente. No transcorrer da Segunda Guerra Mundial à implantação do Estado Novo, Moura abordava os acontecimentos com sensibilidade literária, inclusive abordando as agitações da política estadual.

Preocupado em absorver conhecimento, passava os dias recolhido em um gabinete na Biblioteca Pública de Porto Alegre. Atrás de sua maquina de escrever, redigia prosa e verso. No silêncio, lia o quanto podia. Detentor de linguagem rebuscada, poético e intimista, possuía o domínio das línguas francesa, inglesa e espanhola, conforme as exposições em suas crônicas. Admirava a literatura francesa e era estudante do moderno teatro britânico.

Apontado como um precursor do romance psicológico no Rio Grande do Sul, Moura construía personagens com vida interior complexa. As obras do romancista são caracterizadas pela introspecção. As inscrições deixadas por ele revelam parte de sua personalidade, tímida e retraída. Na opinião de jornalistas e escritores da época, Moura era um intelectual instigante, um literato que não se promovia. Apesar de sua introspecção, foi um animador do movimento literário de Porto Alegre, confraternizando-se com os demais intelectuais, além de incentivar novos escritores.

O impresso Clarim em 7 dias, em 1957, identificou Reynaldo Moura como um “cronista ágil, vibrante, de estilo pessoal”, na redação e um “estudioso inveterado, metódico, acumulando cultura”. Anos após sua morte, o Segundo Caderno de Zero Hora ainda publicava textos sobre o processo de criação do autor. Em 1958, mais uma vez com o apoio da Editora do Globo, publicou o livro Romance no Rio Grande. No período de 22 de julho a seis de novembro de 1963, o jornal A Última Hora, de Porto Alegre, proporcionou aos leitores a novela Major Cantalício que, posteriormente, foi publicada em livro pela EDIPUCRS, no ano de 1995.

A imprensa brasileira noticiou, no ano de 1964, a prisão de Reynaldo Moura pelo Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS, instaurado para reprimir movimentos políticos contrários ao governo vigente. Embora não sendo filiado a um partido, Moura compartilhava dos ideais socialistas. Além disso, mantinha correspondências com Astrogildo Pereira, fundador do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Os dias na prisão só não foram mais longos porque Erico Veríssimo, Maurício Rosemblat e Alberto André articularam a saída do jornalista.

Após a prisão, Cyro Martins conversou com o escritor. “Quando o encontrei, já fazia um mês que o poeta estava em liberdade. Indagado um pouco mais a respeito do episódio, Reynaldo rematou a conversa nestes termos: ‘ficaram com a minha maquina de escrever. O Moysés (Velhinho) está tratando de consegui-la de volta, é problemático porque, que eu saiba, até hoje não devolveram a de ninguém. E quanto ao mais, estou proibido de viajar. Mas como eu nunca viajo’. Essa expressão me ficou soando no ouvido até hoje. Uma resignação sem retorno.”

A humilhação da prisão o levou a um infarto, do qual jamais se recuperou. Faleceu em Porto Alegre no dia 12 de junho de 1965. “Chegou à hora incomensurável da morte. (…) Mergulharás na paz insensivelmente, libertada tua ansiedade”. (Moura, 1944) O autor foi um importante nome para a literatura gaúcha, que soube construir uma prosa inspirada no simbolismo em meio ao universo modernista dos escritores que o cercavam (Fonte: Delfos PUCRS).